segunda-feira, 10 de julho de 2017

Cuidar de animais não é brincadeira

Hoje é segunda e estamos eu e o marido já cansados. Eu, para melhorar, ainda ganhei de presente um resfriado. Trabalhamos ontem em mas um evento da APIN (Associação dos Protetores Independentes dos Animais) e, portanto, não houve final de semana e nem descanso. 
Acordamos cedinho e limpamos o que deu da casa (cocôs e xixis, basicamente), o Rafa alimentou a turma e fomos para nossos trabalhos. Depois do dia todo chegamos em casa e seguimos arrumando e ajeitando, pois nunca, jamais tem fim as ajeitações e arrumações.
O evento de ontem foi realmente muito bom, é gratificante depois de tantos anos de luta poder conversar com as pessoas e perceber que, mesmo que lentamente, estamos conseguindo implantar uma mudança de pensamento nas pessoas da cidade. Posse responsável já não soa mais como se fosse grego. É importante rever a trajetória e balancear o que deu e o que não deu certo.
Esse reajustar os rumos é fundamental, pois ainda há quem pense que cuidar de animais é uma diversão, um passa-tempo, coisa de quem não tem mais com o que se preocupar. A caminhada nos fez perceber que por mais que tenhamos transformado nossa vidas para cuidar destes animais abandonados, o recolhimento que fizemos durante anos não ajudou a mudar a situação global dos animais de rua de nossa cidade. Apenas nos tornamos referência de despejo de bichos, nossa casa passou a ser local de romaria de gente sem noção que cata animal estropiado na rua e acha que aqui é o lugar de largar (nem tentem, eu chamo a polícia).  Hoje sabemos que a única coisa que realmente irá impactar o caos urbano causado pelos bichos nas ruas é um programa sério de controle populacional. É esse e nenhum outro o objetivo de nossa luta atualmente.
Ainda que algumas mídias de nossa cidade tentem ocultar nosso trabalho (ridículos !! melhorem !!!) estamos cada vez mais convencidos de que a rede de apoiadores que estamos construindo nos levará a grandes e concretas conquistas, e não a medidas paliativas como as que o poder municipal aplicou até o momento.
Ninguém deveria viver com um número tão grande de animais, carregando nas costas a irresponsabilidade de toda uma cidade. Quando vejo aquelas pessoas com mais de cem animais em casa e todo mundo olhando e dizendo "olha,é um anjo", me dá vontade de dar na cara das pessoas para elas acordarem. Como tu acha que é a vida de uma pessoa om mais de cem animais em casa ? Não consigo nem imaginar sem ter arrepios.
Cuidar de animais não é brincadeira... Por mais que dediquemos nossa vida à eles sempre haverá um olhar pedindo mais um carinho, uma voltinha, um aconchego... Sem contar a trabalheira de limpeza, brigas, gastos... Sempre tem algo a fazer por eles ou com eles... São nossa responsabilidade e queiramos ou não, temos que nos adaptar e organizar para que as coisas estejam bem para todos nós.
Aqui em casa temos um esquema todo montado, mas mesmo assim, ao menos algumas vezes na semana, o caos se estabelece e todo mundo, gente e bicho, ficam a beira de um surto. Aí respiramos, nos acalmamos e seguimos em frente. 
Sempre em frente, com fé e coragem para vencer todos os desafios !!!